mundo cão

ééé, vivemos na babilônia, no capitalismo selvagem, mesmo. esses dias estava lendo sobre o conceito de “exército de reserva de trabalho” e entendi melhor como opera o desemprego, o subemprego e o trabalhador temporário (famoso “bico”) nessa equação – spoiler(-não-tão-spoiler): eles precisam existir para que o capitalismo vigore. são eles que garantem com que os donos dos meios de produção possam manter os salários baixos, afinal, tem tanta gente precisando, né, “se não quiser, tem outro na fila”. ah, e são eles, também, que asseguram que o trabalhador precarizado ande na linha, porque há sempre a substituição iminente. que merda de mundo, ein!

e para nós, trabalhadores da cultura e da arte, parece que a coisa se agrava. explico: quem nunca viu artista/trabalhador da cultura reivindicando por maior reconhecimento, maior valorização $$$ de seus trabalhos pelos seus governos? essa é clássica, clássica pois necessária. a diminuição da verba para a Lei Aldir Blanc – lei de fomento à pequenos produtores, grupos culturais e artistas, mais importante ainda pela sua abrangência que vai do “Oiapoque ao Chuí” e contempla 97% dos municípios brasileiros. uma puta importância, convenhamos! – é um exemplo. e aí nos deparamos com o tiro no pé: núcleo de educadores museais oferecendo salários baixíssimos para educadores trabalharem em turnos de terça a domingo, museu de arte contemporânea e jardim botânico a céu aberto oferecendo salários não condizentes para educadores museais bilíngues que só de deslocamento à Brumadinho levam mais de três horas – isso não deveria ser contabilizado $? -, empresas de escrita de projetos culturais oferecendo R$800 para 30 horas/semanais (mesmo que em caráter de estágio)…??? gente, como ser valorizado se nem a própria classe valoriza o coleguinha?

é desanimador…

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