hiperlinnnques

  1. nasci em 1995, tive acesso à internet bastante cedo – era conexão discada, mas era, rs. tive conta no Bate-Papo da UOL, MSN, Flogão, Orkut, Fotolog, Facebook, Blogspot, Twitter e alguns outros que posso ter deixado pelo caminho. e acho que pelo fato de ter vivido essa internet criativa, diversa, feita por gente, me sinto devastada com o que vem acontecendo: poucas grandes corporações que dominam o meio, algoritmos que engajam violência, inteligência artificial sendo usada por jovens, em idade de formação, sem a menor instrução, as fake news, as deepfakes, o uso das redes pela extrema-direita para fins anti-democráticos. a internet na mão dos fascistas. por isso, talvez como um antídoto, venho pesquisando sobre alternativas e me reencantando pela internet “de antigamente”, feita por pessoas, para pessoas (e não compradores em potencial). ela ainda existe! e o nome desse post faz, também, uma homenagem a isso, afinal, você entra em um site/blog, lá encontra um link para outro site/blog, e quando você viu, já se foram horas consumindo conteúdos, de fato, interessantes, bem elaborados – a qualidade do que se vê em comparação às redes sociais é muito superior. dá até um certo alívio (e um pouco de ansiedade, confesso, pois o desejo de saber cada vez mais sobre esse mundo só é alimentado a cada aba aberta – e é aba pra caramba!). o lugar onde mais encontro essas referências, sem dúvidas, é o Manual do Usuário, do Ghedin. lá eu conheci o Tiny Awards, uma premiação que celebra “o melhor da web artesanal/autoral, criativa e poética”, uma série de outros sites/blogs de quem também está (ou permanece) nessa onda, e, hoje, o Baixa Cultura, que se denomina “um LABORATÓRIO (“espaço de pesquisa e experimentação”) ONLINE (“porque nossa casa é aqui, a internet”) que trabalha com documentação, pesquisa, formação e experimentação em CULTURA LIVRE (“é um modo de produzir cultura a favor do compartilhamento, em busca da autonomia e em prol do conhecimento livre”). uau!
    obs.: a criação desse site – desse mesmo, em que você se encontra – partiu disso, dessa pesquisa, desse desejo.
  2. há alguns anos, dizia que odiava estudar, que meu sonho era ter um trabalho mega operacional, que quando eu chegasse em casa eu pudesse não pensar em nada. nunca me considerei uma pessoa criativa, principalmente do primeiro tipo criativo que costuma vir à cabeça, a pessoa arts-and-crafts-desenha-muito-borda-muito-é-artista-mesmo. e é claro que esse parágrafo é para contradizer tudo isso, né. uma pessoa que quando se propõe a fazer qualquer coisa – desde tomar um novo antidepressivo, colocar um dinheirinho no Tesouro Direto a até costurar um kimono ou escrever sobre o obsceno – sente a necessidade de estudar (por meio de fontes confiáveis, é claro – quando possível por meio de bibliografia acadêmica reconhecida) minimamente (ao menos), não me parece ser uma pessoa que odeia estudar. uma pessoa que começou a estudar programação de maneira autodidata, depois fez um curso de um ano que exigia (às vezes, mais de) oito horas de estudo diárias (e assim o fez – a ponto de sentir que estava liberando dopamina ao estudar e que sentia falta quando passava, sei lá, três dias sem essa prática), tampouco. eu não gostava de estudar aquele tanto de coisa que eu não tinha o desejo de estudar. e sobre a criatividade: é claro que eu sou criativa, ao escrever um bom texto, ao desenvolver ideias, ao, literalmente, criar coisas, estou sendo criativa. estou criando, ora bolas. e não faz nem um ano que me formei, que estou em um novo emprego, e já estou com uma saudade disso, de estudar e criar de maneira mais autônoma/livre. não tem jeito: preciso fazer algo que me estimule/cative intelectualmente/criativamente para conseguir viver – a vida aqui não pode ser só casa-trabalho-trabalho-casa.
  3. na minha época de pré-vestibular, tive o desejo de cursar Jornalismo, mas rapidamente fui convencida de que com uma graduação em Jornalismo “você vai saber de tudo e não saber de nada ao mesmo tempo” (!?!?) e desisti. foquei nos cursos de Midialogia ou Imagem e Som, não passei em nenhum dos dois cursos e o resto é história. cá estou eu, formada em Artes Visuais Licenciatura e trabalhando há um tempo com projetos culturais, artistas, gestão. gosto do que faço, sempre fui boa em lidar com organização, burocracias, gestão como um todo. gosto do que faço e (“e” não “mas”) tenho vontade de bancar o desejo de me enveredar para o Jornalismo – não como uma migração de carreira, mas como uma ramificação de carreira, “também”.
    obs.: lembro-me de, há alguns anos, ouvir alguns episódios do podcast “Retrato Narrado” e depois ouvir todos do “Praia dos Ossos” e, em ambas situações, pensar: “isso é jornalismo! isso é jornalismo de verdade!”. hoje, ouço com frequencia “Rádio Novelo Apresenta” e adoro quando elas/es falam um pouco dos bastidores do episódio, do processo de apuração, de pesquisa, quando falam, de alguma maneira, de jornalismo. então, não posso deixar de linkar a Radio Novello, né?
  4. dias pra trás comecei a procurar cursos e pós-graduações (lato sensu) em Jornalismo. fiz uma pesquisa, vasculhei os programas dos cursos e levei em conta, obviamente, os valores. ontem, me matriculei na pós-graduação “Jornalismo, Comunicação e a Nova Ordem Informacional” (Jornalismo Digital e Comunicação) de uma instituição particular paulista famosa. me matriculei com plena consciência de que é uma pós-graduação do mercado. explico: é um curso, com aulas assíncronas gravadas, avaliações e uma série de processos automatizados, feito para ser replicado e vendido à perder de vista – e vamos de linha de produção, de maximização do lucro. sim, é muito do que eu condeno, mas o cupom de 65% de desconto e nomes como Lucia Santaella (a diva (!) da semiótica, que eu conheci através de um texto da disciplina Arte e Tecnologia, no meu primeiro período das Artes Visuais, e fiquei obcecada) e, pasmem (descobri hoje mesmo), Leonardo Foletto (o criador do Baixa Cultura – que falei acima) no corpo docente me seduziram, confesso. e, parando para pensar, tudo caminha para esse modelo, né? seria difícil eu conseguir uma pós com a mesma temática, de maneira presencial ou híbrida (ou só com aulas ao vivo, que seja) que coubesse na minha rotina de trabalho, por um preço praticável.
    obs.: não terei os conceitos básicos e essenciais do Jornalismo (que uma graduação me proporcionaria) na pós, mas nada que a bibliografia extensa do Anna’s Archive (viva a distribuição do conhecimento!) e boas horas de estudo não me ajude – em partes, pois será somente a teoria, sem nenhum interlocutor, nenhum exercício prático, enfim, isso eu vejo mais pra frente.

deu para entender os hyperlinks???

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