comecei a ler o livro “Amora”, da Natalia Borges Polesso, para o clube do livro que participo. no prefácio, ela fala sobre a rede criada entre as mulheres sapatonas que um dia se relacionaram (ou vão se relacionar, hehe, rebuceteio delas – essa foi uma adição minha, hihihi). achei tão bonito, o romance acaba, mas, muitas vezes, a amizade e o cuidado permanecem. mesmo já tendo vivido um término de relacionamento hétero em que o carinho e o cuidado permaneceram por um bom tempo e um homossexual em que o contato foi cortado logo de início, fiquei me perguntando porque a maioria dos relacionamentos heteronormativos não têm esse final. pelo contrário, muitas vezes é uma ruptura abrupta – é como se você tivesse que fingir que a outra pessoa morreu. coloquei essas minhas divagações no grupo do clube, formado majoritariamente por mulheres que se relacionam com mulheres e uma grande amiga levantou dois pontos, que reproduzo aqui:
“1- é comum os homens não se interessarem por mulheres, né? Eles se relacionam com mulheres, mas o interesse deles tá todo voltado pra homens, conversam com homens, encontram com homens, seguem homens, leem homens – e transam com mulheres. Quando termina o relacionamento “amoroso” que tinha sexo e não vai ter mais, perde o sentido do vínculo.
E aí tem o rolê de homens mais progressistas, eles modificam essa estrutura, mas será q tão profundamente a ponto de alterar essa lógica?
2- outro ponto central eu acho que é o quanto nós somos incentivadas a apaziguar, manter bons vínculos e deixar as relações pacificadas. Ainda mais quando a relação é entre mulheres, sororidade e os carai… a gente passa pano pra coisas terríveis, minimizando violências pq foi uma mulher q fez… em algumas relações de fato o melhor seria q não houvesse nenhum vínculo, só o tchau, cai fora mesmo.
São muitas nuances…
Tenho chegado cada vez mais a conclusão q tem sim as estruturas de poder determinadas pelo gênero, mas q o “caso a caso” é BABADO.”
é, mona, é babado….




