comecei a ler o livro “Amora”, da Natalia Borges Polesso, para o clube do livro que participo. no prefácio, ela fala sobre a rede criada entre as mulheres sapatonas que um dia se relacionaram (ou vão se relacionar, hehe, rebuceteio delas – essa foi uma adição minha, hihihi). achei tão bonito, o romance acaba, mas, muitas vezes, a amizade e o cuidado permanecem. mesmo já tendo vivido um término de relacionamento hétero em que o carinho e o cuidado permaneceram por um bom tempo e um homossexual em que o contato foi cortado logo de início, fiquei me perguntando porque a maioria dos relacionamentos heteronormativos não têm esse final. pelo contrário, muitas vezes é uma ruptura abrupta – é como se você tivesse que fingir que a outra pessoa morreu. coloquei essas minhas divagações no grupo do clube, formado majoritariamente por mulheres que se relacionam com mulheres e uma grande amiga levantou dois pontos, que reproduzo aqui:

“1- é comum os homens não se interessarem por mulheres, né? Eles se relacionam com mulheres, mas o interesse deles tá todo voltado pra homens, conversam com homens, encontram com homens, seguem homens, leem homens – e transam com mulheres. Quando termina o relacionamento “amoroso” que tinha sexo e não vai ter mais, perde o sentido do vínculo.

E aí tem o rolê de homens mais progressistas, eles modificam essa estrutura, mas será q tão profundamente a ponto de alterar essa lógica?

2- outro ponto central eu acho que é o quanto nós somos incentivadas a apaziguar, manter bons vínculos e deixar as relações pacificadas. Ainda mais quando a relação é entre mulheres, sororidade e os carai… a gente passa pano pra coisas terríveis, minimizando violências pq foi uma mulher q fez… em algumas relações de fato o melhor seria q não houvesse nenhum vínculo, só o tchau, cai fora mesmo.

São muitas nuances…

Tenho chegado cada vez mais a conclusão q tem sim as estruturas de poder determinadas pelo gênero, mas q o “caso a caso” é BABADO.”

é, mona, é babado….

fui procurar no Reddit por qual livro começar a ler Deleuze (e Guattari) e me deparei com essa pérola:

assino embaixo, viu! pra começar a ler Deleuze e Guattari, tem que começar a ler Deleuze e Guattari. que mané ficar lendo um monte de outros filósofos pra só depois começar a lê-los. e isso vale pra muitas outras coisas na vida, principalmente pra mim (tenho um perfeccionismo, um linearismo que muitas vezes só me empaca…). um cu

opinião impopular sobre um livro

terminei de ler o livro “O Avesso da Pele”, de Jeferson Tenório – foi a leitura de um clube de leitura que faço parte. no último ano e meio (desde quando tenho kindle, ou seja, livros gratuitos, rs), ao invés de gastar tempo lendo um livro que não gosto tanto, se chego nos 50% do livro e ele ainda não me pegou de algum jeito, eu paro. meu companheiro diz que tem muito livro bom no mundo, pra gente ficar lendo livro que acha marromens – e eu finalmente concordei.

confesso que não fosse pelo clube, eu pararia a leitura, mas segui e acabei dando a nota 3 (em 5) no meu skoob, rs. li algumas resenhas, na própria rede social, e vi que é um livro bastante elogiado, provavelmente já foi indicado em alguma newsletter da Gama Revista e muito bem indicado por críticos literários. fato é que trata de uma temática importante – muito importante: o racismo no Brasil. mas trata do assunto de maneira tão didática, que chega a me incomodar. de maneira tão direta, quase que como se estivesse explicando coisas em um artigo – me pareceu até um desperdício de suporte (o livro literário). e, poxa, penso que a literatura possibilita tantas outras maneiras de falar sobre algo, metáforas, referências subentendidas, maneiras menos óbvias e mais interessantes.

obs.: encontrei meras duas críticas (negativas) ao livro na rede social, uma seguia mais ou menos a minha linha, outra era mais de cunho pessoal.