ser adulto é uma merda

título autoexplicativo: ser adulto é uma merda. saudades ir à escola e num piscar de olhos estar dormindo na casa de uma nova amiguinha. esse negócio de home office, emprego tóxico, subemprego, desemprego é muito difícil. onde faz amizade quando se é adulta-sem-redes-sociais? não que eu seja muito fácil de manter contato virtual, né – na verdade, sou péssima, mas sempre fui boa no tête-à-tête (que loucura, sempre falei “téti-a-téti”). após alguns anos sem Instagram, acho que vou voltar. eu era boa naquilo, adorava rolar o meu pŕoprio feed, apreciar minha seleção de fotos (nada aesthetic) e ler as minhas legendas, kkk. hoje em dia é cafona postar foto no feed, né? que cafona isso ser cafona, Instagram é (era) pra isso…

mas será mesmo que o Instagram vai me ajudar nesse quesito sociabilidade? ou só parece que ajuda? será que vou ficar ansiosa achando que a vida de todo mundo é melhor que a minha?

ao fim da internet!!!!!

“ahhh, odeio ter muitas opções” – eu, frequentemente, em lojas de roupa, supermercados, buscando celulares na internet, em locais/situações de consumo.

e isso tem se aplicado também à minha organização (que é majoritariamente digital): é preciso ter conta no Google (e-mail, drive, navegador, YouTube Premium, YouTube Music, etc), é preciso ter conta na Microsoft (drive, Microsoft Teams, Office, etc), conta do iCloud (sincronização das coisas do iPhone). ahhh, sem contar na pulga que a gente arruma para se coçar quando decide personalizar todo o nosso Notion – a configuração/template do meu eu já ajustei no primeiro mês de uso (há uns cinco anos), mas sempre dá vontade de fazer uma coisinha nova, criar uma nova página para anotar coisas que, no frigir do ovos, só servem para me fazer gastar tempo tentando controlar e registrar tudo. tem dias da minha vida em que eu passo mais tempo me organizando/planejando/registrando do que fazendo coisas de fato. que agonia!

por isso, além de dar tchau às grandes empresas de tecnologia, vou tentar agrupar todas esses meus softwares de organização, sincronização e backup, em um ou dois ecossistemas, de maneira gradual – mais um grande desafio, afinal, quando obceco por algo, é difícil me tirar dessa obsessão até que eu me sinta satisfeita, rs.

com tantas ferramentas à disposição, é fácil perder o foco e ficar organizando, catalogando, elaborando dinâmicas de produtividade ao invés de simplesmente produzir e viver – cliché ending ✨

obs.: tem um meme maravilhoso que nunca mais vou achar na vida que é uma ilustração de uma mulher com um cabelão enorme, meio fada, em um cenário meio gótico, não me lembro ao certo, e tem um textinho, em cima da imagem, em inglês, falando que o sonho secreto dela é perder acesso a todas as contas, perder todos os arquivos de nuvens e de hd’s. ao mesmo tempo que tenho pavor disso, às vezes desejo secretamente. depois de superado o apego, deve dar uma leveza – não sou se sou espiritualmente evoluída para isso…

obs.: perguntei aqui pro ChatGPT (hihi, da OpenAI, mais uma dessas empresas filhas da puta, rs – a mudança é gradual, né, e não precisa ser tão radical a ponto de me isolar do mundo) se esse meu projeto de migração faz sentido. ele me respondeu que faz sim, que estou reconstruindo minha vida digital com consciência, autonomia e foco em liberdade e privacidade. resumindo o resto: “Com esse seu projeto, o que você está fazendo é criar um sistema que está realmente sob o seu controle — sem depender de plataformas que podem mudar do nada ou simplesmente sumir. É claro que tem desafios: a curva de aprendizado é um pouco maior, e as integrações não são tão automáticas quanto nos serviços mais populares. Mas em troca, você ganha domínio técnico, mais privacidade, e deixa de ser refém das big techs. E se algum dia quiser voltar atrás, não tem problema: você está fazendo tudo de forma gradual, com contas de fallback, e sempre com escolhas intencionais. O objetivo não é ser 100% privado, a qualquer custo, e sim ter consciência e liberdade nas suas decisões tecnológicas. Isso é poder digital de verdade.” divei!

obs.: perguntei, também: “ah, lembrando que eu tenho um website pessoal, poderia transferir alguma das funções que elenquei de todas essas contas pra lá? ou não tem nada a ver?”, ele me respondeu “Sim, seu site pessoal pode assumir várias funções do seu sistema digital. Ele pode servir tanto como um espaço público de organização e publicação, quanto como painel privado e centralizador, com acesso remoto e até automações — depende do que você quer centralizar.”. Agora é só estudar como…

xô GAMAM (Google, Amazon, Meta, Apple, and Microsoft)

não é bem sobre o saite, mas é uma dessas nerdezas de código aberto, privacidade e etc. meu iPhonezinho SE 2020, (de botão!), pequetico, lindo, quebrou… é, foram cinco anos juntos e ele me atendeu muito bem a maior parte do tempo. só no último mês ele estava fechando o app do OneDrive do nada e às vezes não enviando umas mensagens aleatórias no WhatsApp, mas durou bem e fico feliz com isso, pois sou totalmente contra a obsolescência programada. se pudesse usaria o mesmo celular por + de 10 anos, computador e televisão durante toda a vida, geladeira, microondas e fogão idem. o terror dos fabricantes!!! mas, né, como essa merda de capitalismo nos faz consumir, consumir e mais nada, cá estamos nós, tendo que comprar um novo celular.

como o tempo das vacas gordas (leia-se: mãetrocínio) já passou faz um tempo, vou de um Moto Gzinho mesmo. mas o que muito me interessou foi mudar o sistema operacional do meu telemóvel (o iOs, quando iPhone, e o Android, quando outros aparelhos). assim como deixei de utilizar o OS Windows, para passar a utilizar o OS Linux (Zorin OS Pro, para ser mais específica), estou pensando em desinstalar seja lá qual for a versão do Android que vier no meu novo celular e instalar um outro operation system (baseado em Android? assim como o Zorin OS, que é baseado em Linux… ainda pesquisando). um OS que seja menos cheio daquele monte de aplicativo inútil do Google (que já vêm pré-instalados e é um caos para remover, isso quando há essa possibilidade) e que me garanta maior privacidade, afinal, a Google (assim como a Microsoft, pois ainda uso OneDrive – outra coisa que estou querendo mudar) tem acesso a toda a minha vida.

para essa missão (impossível? me desvincular de tudo da Google, Microsoft e etc – há uns meses to na pira do Fediverse, por enquanto só entrei no (e abandonei) Mastodon, rsrsrs, sair dessa internet dominada por quatro (ou cinco?) empresas me parece um puta trabalho), ainda preciso estudar um bocado. e ter paciência, muita paciência – não é do dia para noite que você consegue apagar seus vestígios na world wide web.

mundo cão

ééé, vivemos na babilônia, no capitalismo selvagem, mesmo. esses dias estava lendo sobre o conceito de “exército de reserva de trabalho” e entendi melhor como opera o desemprego, o subemprego e o trabalhador temporário (famoso “bico”) nessa equação – spoiler(-não-tão-spoiler): eles precisam existir para que o capitalismo vigore. são eles que garantem com que os donos dos meios de produção possam manter os salários baixos, afinal, tem tanta gente precisando, né, “se não quiser, tem outro na fila”. ah, e são eles, também, que asseguram que o trabalhador precarizado ande na linha, porque há sempre a substituição iminente. que merda de mundo, ein!

e para nós, trabalhadores da cultura e da arte, parece que a coisa se agrava. explico: quem nunca viu artista/trabalhador da cultura reivindicando por maior reconhecimento, maior valorização $$$ de seus trabalhos pelos seus governos? essa é clássica, clássica pois necessária. a diminuição da verba para a Lei Aldir Blanc – lei de fomento à pequenos produtores, grupos culturais e artistas, mais importante ainda pela sua abrangência que vai do “Oiapoque ao Chuí” e contempla 97% dos municípios brasileiros. uma puta importância, convenhamos! – é um exemplo. e aí nos deparamos com o tiro no pé: núcleo de educadores museais oferecendo salários baixíssimos para educadores trabalharem em turnos de terça a domingo, museu de arte contemporânea e jardim botânico a céu aberto oferecendo salários não condizentes para educadores museais bilíngues que só de deslocamento à Brumadinho levam mais de três horas – isso não deveria ser contabilizado $? -, empresas de escrita de projetos culturais oferecendo R$800 para 30 horas/semanais (mesmo que em caráter de estágio)…??? gente, como ser valorizado se nem a própria classe valoriza o coleguinha?

é desanimador…

Anelis Assumpção e os Amigos Imaginários

ontem fui ao show de dez anos do álbum “Anelis e os Amigos Imaginários”, de Anelis Assumpção, e me lembrei de um fato curioso: há dez anos, eu estava indo no show da turnê de lançamento desse álbum – como o tempo voa! quem me levou a esse show foi minha mãe, eu conhecia mais ou menos o Itamar, mas não fazia ideia de como era a música de Anelis. cheguei e fiquei na frente do palco hipnotizada pela diva – meio boquiaberta, apreciando a presença, a música, o clima.

no show de ontem achamos, eu e meu companheiro, Anelis um pouco pokas idéia (bem diferente do primeiro show), tanto que nem boa noite a diva deu, e entre uma música e outra uma mineira abusada gritou “boa noite!”, haha. mas, né, todo mundo tem os seus dias, né, rs.

as minhas faixas favoritas do álbum são: Eu Gosto Assim, Mau Juízo e Inconcluso – mas, na real, eu amo todas (e confesso que ouvi/ouço muito mais esse álbum do que os mais recentes).

Alguns incômodos, porém livro importante

[comentário que fiz sobre o livro “Avesso da Pele”, de Jeferson Tenório, no Skoob]

Livro importante, trata de uma temática (o racismo no Brasil) que deve ser cada vez mais discutida, afinal não será silenciando que poderá ser feito algo a respeito.
Porém, algumas coisas não me agradaram em sua escrita: a referenciação às vezes meio “forçada” a músicos brasileiros, por exemplo. Acho legal referenciar, mas ficou parecendo que o autor quis colocar algumas referências a qualquer custo. E trechos que me soaram didáticos demais para tratar do racismo. Senti falta de uma abordagem um pouco mais poética – e não é que quero que o autor seja mais “discreto”, mais sútil, não quero silenciá-lo a respeito de um tema que deve ser tratado com a crueza e força que exige, acho, simplesmente, que existem maneiras mais metafóricas, simbólicas, literárias, menos óbvias e mais interessantes de fazê-lo.
OBS.: muitas das referências musicais que ele faz, vivem tocando aqui em casa, como Itamar Assumpção, por exemplo. Eu o amo!, mas a maneira como ele fez, sei lá, não ficou natural. Me lembrou até algum texto que escrevi há poucos anos e fiz alguma referência dessas, hoje o leio e me sinto um pouco embaraçada com essa referenciação tão direta, uma coisa meio adolescente que quer mostrar que conhece determinado artista… e a literatura nos possibilita tantas outras maneiras de referenciar, né? Exploremos!
OBS. 2: Tratar da temática (racismo no Brasil) de maneira tão discursiva (?), direta, em uma obra literária me parece um desperdício de suporte/técnica. Em um artigo, isso cairia bem, mas em uma obra literária? É quase que subestimar o leitor…

opinião impopular sobre um livro

terminei de ler o livro “O Avesso da Pele”, de Jeferson Tenório – foi a leitura de um clube de leitura que faço parte. no último ano e meio (desde quando tenho kindle, ou seja, livros gratuitos, rs), ao invés de gastar tempo lendo um livro que não gosto tanto, se chego nos 50% do livro e ele ainda não me pegou de algum jeito, eu paro. meu companheiro diz que tem muito livro bom no mundo, pra gente ficar lendo livro que acha marromens – e eu finalmente concordei.

confesso que não fosse pelo clube, eu pararia a leitura, mas segui e acabei dando a nota 3 (em 5) no meu skoob, rs. li algumas resenhas, na própria rede social, e vi que é um livro bastante elogiado, provavelmente já foi indicado em alguma newsletter da Gama Revista e muito bem indicado por críticos literários. fato é que trata de uma temática importante – muito importante: o racismo no Brasil. mas trata do assunto de maneira tão didática, que chega a me incomodar. de maneira tão direta, quase que como se estivesse explicando coisas em um artigo – me pareceu até um desperdício de suporte (o livro literário). e, poxa, penso que a literatura possibilita tantas outras maneiras de falar sobre algo, metáforas, referências subentendidas, maneiras menos óbvias e mais interessantes.

obs.: encontrei meras duas críticas (negativas) ao livro na rede social, uma seguia mais ou menos a minha linha, outra era mais de cunho pessoal.

Bella Freud não entende de Freud

pesquisando um pouco mais sobre Bella Freud, descobri que ela não conhece muito da obra de seu bisavô e, como se não bastasse, que o pouco que ela sabe foi através de uma história em quadrinhos sobre a vida de Freud que seu filho trouxe da escola.

a vida presta demais, né, my love? kkkkk

obs.: ah, tagueei o post como “referências”, pois trarei uma maravilhosa: “As Traumáticas Aventuras do Filho do Freud”, quadrinho engraçadésimo do Pacha Urbano – nessa época que descobri que Freud tinha um super senso de humor.

– eu sou da república da Marina, vim trazer umas coisas para a amiga dela, a Carol, levar para ela em Governador Valadares
– ah, tá, eu entrego para ela
– tá bom… aí tem um diploma e uma bota

achei que estava sonhando, mas o diálogo foi real. e é isso, né: tudo que uma mulher precisa é de um diploma e uma bota, rsrsrs.

De Quatro

[comentário sobre o livro “De Quatro”, de Miranda July, que fiz no Skoob]

No início da leitura já disse, precipitadamente, a uma amiga que provavelmente seria a minha melhor leitura de 2024.
Li em algum lugar, em algum momento, que a maioria das pessoas gosta de se identificar com personagens das obras que fruem. Obviamente não faço parte da minoria em que isso não se aplica. E me identificar com uma mulher de 45 anos, com um filho, em um longo casamento, talvez tenha me deixado preocupada, rs. Principalmente nas partes em que ela externalizava suas angústias, seus conflitos internos, suas neuroses – minha sogra, que é psicanalista, já me disse que eu sou histérica (de maneira não agressiva – sério), quem sou eu pra dizer que não? Bem eu, que me conheço mais que qualquer pessoa. Me sinto preocupada demais, somatizo mesmo, sou neurótica com certeza. A personagem principal do livro também.
Mas o ponto alto do livro, com certeza, é o período em que a protagonista se hospeda em um hotelzinho beira de estrada e decide fazer uma reforma no quarto em que se hospeda – no maior estilo do programa norte-americano “Extreme Makeover”. Que que foi aquilo? Os momentos com aquele boy: a parte do absorvente interno??? Meu deus! Divino! Maravilhoso!!!
Depois desse ponto alto, rola mais um ponto alto com a sapatona véia, mas, na minha opinião o livro começa a cair. Mas é como o declínio daquele hormônio, do qual me esqueci o nome, na menopausa, né? É simples e inegavelmente a vida…
Bom, talvez valha uma segunda leitura daqui a uns anos para eu conseguir decidir se o livro vale 4 ou 5 estrelas.